Transformar Foz do Iguaçu numa espécie de centro comercial franqueado e internacional ainda é o sonho de muitos empresários. Com a criação do incremento conhecido como “Lojas Francas”, poderosos grupos econômicos do Paraguai realizaram estudos avaliando a possibilidade de transformar a região, no lado brasileiro, como um potencial centro de negócios, impulsionados pelas grandes marcas mundiais. O projeto estaria em estágio avançado e com a pandemia do Covid 19, e, o ocasional fechamento da Ponte da Amizade, os planos estão sendo acelerados.

Na manhã desta segunda-feira (25), o GDia soube, com exclusividade, que o shopping em maior evidência no mercado de Ciudad del Este, inaugurará instalações em Foz do Iguaçu, atuando no mesmo formato que tanto atrai os visitantes e compradores na vizinha cidade, além Rio Paraná.

O local onde será instalado, ainda não foi revelado, mas o empreendimento conhecido como CellShop, deve abrir as portas em breve, tão logo os trâmites legais sejam superados.

O empresário Jorbel Griebeler, da CellShop, diz que Foz do Iguaçu oferece grandes possibilidades de futuro, porque está muito bem organizada no setor de Turismo e é uma das cidades que deve reaver lugar de destaque no pós-pandemia. Além do mais, “não sabemos ao certo até onde isso vai, sempre torcendo para o melhor acontecer, independentemente disso, ou do que está acontecendo, novas inciativas e contemplar cenários inovadores sempre fizeram parte dos nossos planos.

As lojas francas, que até 2012 eram restritas a portos e aeroportos alfandegados, foram autorizadas em fronteiras terrestres, com características como as de Foz. As normas para funcionamento estão na Instrução Normativa RFB nº 1799, de março de 2018. O assunto foi debatido em audiências públicas, com participação de técnicos da Receita Federal e houve até mesmo um certo alvoroço com a novidade, mas com o passar do tempo, surgiram obstáculos, entre eles, o atraso na liberação de programas da Receita Federal bem como uma demanda bem mais complicada do que se imaginava. Ao longo de quase dois anos após a autorização, apenas dois negócios foram instalados. “Essa burocracia é talvez o maior entrave para a instalação de mais lojas francas, porque a demora se torna antieconômica e faz muita gente desistir de pensar no assunto.

Apesar das dúvidas e da crise, outros quatro grupos econômicos estão avaliando a transferência de negócios para Foz do Iguaçu. Essa “travessia” da Ponte da Amizade não é integral, os estabelecimentos permanecerão atendendo no Paraguai, mas há evidências que no futuro, Foz poderá vestir a roupa de “capital das compras” e isso estaria na mesa de negociações com o governo Paraguaio, que mostra sinais de endurecimento em sua política de política de tributação.

“Estamos sofrendo muito com a insistente alta do Dólar no Brasil e não vemos esforços do governo do Paraguai no sentido de proteger os nossos negócios, o que ocasiona demissões e nos prejudica na renovação dos estoques. Basta um aceno do governo brasileiro, em atrair investimentos e facilitar as importações, que Foz pode se tornar o alvo de nossos negócios”, revelou um empresário com negócios no Paraguai e que pediu para não ter o nome revelado.

Economistas brasileiros e paraguaios, além dos comerciantes que acompanham as tendências no mercado internacional, afirmam que já é melhor atuar no Brasil, porque há incentivos, alguns dos quais elogiados, como as facilidades de importar produtos como alimentos, bebidas e perfumes sem nenhum tipo de burocracia, o que oferece agilidade na importação de produtos lançados pelos fabricantes mundiais.

A empresária Elizangela de Paula Kuhn, CEO da De Paula Contadores, adquiriu um “know-how” na formatação de Lojas Francas essa eficiência tem atraído comerciantes interessados em implantar negócios em Foz do Iguaçu, segundo ela, vários grupos econômicos do Paraguai realizam consultas frequentes sobre a possibilidade de desenvolver negócios na cidade.

Com relação à pandemia causada pelo Coronavírus, segundo informação, uma representação de empresários de Ciudad del Este esteve em Assunção na tentativa de sensibilizar o presidente Mario Abdo Benítez, em pelo menos oferecer uma perspectiva de reabertura da Ponte da Amizade e as notícias não foram em nada animadoras. A reunião teria durado pouco tempo e Marito se limitou a dizer que não há segurança epidemiológica para a abertura da fronteira neste momento, mais ainda com os números crescentes da doença no Brasil, que registra algo em torno de mil óbitos diários. Segundo declarações de pessoas que teriam participado do encontro, vai demorar para as coisas voltarem ao normal em CDE.

O tom desolador da audiência fez que que muitos empresários retornassem para CDE e demitissem colaboradores, adotando medidas como a redução de departamentos em seus negócios. Com as medidas, sofrem também milhares de brasileiros que atuam naquele mercado. A possível instalação de novos empreendimentos no setor de Lojas Francas, será uma notícia auspiciosa para uma numerosa mão de obra e também para quem viaja em busca de produtos de qualidade.

Reportagem do GDIA

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